Com entrada franca no shopping RioMar, a mostra convida o público a uma travessia imersiva entre a preservação dos manguezais e a cultura náutica pernambucana até o dia 20 de setembro.
A exposição “O Mar que nos Move – Do Mangue ao Oceano: Cultura, Memória e Preservação” entra em sua última semana de visitação no shopping RioMar, na Zona Sul do Recife. Até a próxima quarta-feira, 20 de setembro, o público pode conferir gratuitamente a mostra, que integra a programação do Circuito Cultural Cabanga 80 Anos. Através de um acervo histórico e de simulações em realidade virtual, a iniciativa aborda a relação intrínseca da capital pernambucana com suas águas e propõe um debate prático sobre a preservação ambiental dos ecossistemas costeiros.
Realizado pelo Instituto Cabanga de Responsabilidade Social, o projeto foi estruturado para democratizar o acesso à cultura marítima e esportiva. Além da imersão tecnológica, a reta final do evento conta com oficinas de educação ambiental conduzidas por moradores de comunidades ligadas à bacia do Pina.

Imersão sensorial e acessibilidade
Um dos principais atrativos tecnológicos da exposição é a simulação de navegação. Desenvolvida em parceria com a startup SiriTech, a instalação permite que o visitante suba em uma embarcação real e, com o uso de óculos de realidade virtual, vivencie a experiência sensorial de velejar em mar aberto. A estrutura imersiva foi inteiramente adaptada para garantir acessibilidade, permitindo a participação autônoma de pessoas que utilizam cadeiras de rodas.
O mangue como ponto de partida territorial
Com curadoria de Rhommel Bezerra e Filipe Bandeira, a exposição é dividida em cinco eixos temáticos que invertem a lógica tradicional das mostras náuticas. Em vez de iniciar o percurso diretamente no oceano, a narrativa começa no manguezal — ecossistema fundamental para a biodiversidade do Recife e território base onde o Cabanga Iate Clube está inserido.
A premissa curatorial defende que não é possível celebrar a cultura do mar sem discutir a conservação dos estuários. “Queremos mostrar o que existe entre a raiz do mangue e uma embarcação em mar aberto. Antes da vela e antes do oceano, existe um território que nos forma. Assim, a história deixa de estar apenas no passado para se transformar em responsabilidade sobre o futuro e em preservação”, explica o curador Rhommel Bezerra.

Economia circular e saberes tradicionais
Para aliar a teoria à prática, a exposição cede espaço para a valorização dos saberes da comunidade de Brasília Teimosa. O Centro Escola Mangue comanda atividades gratuitas de conscientização ecológica dentro do shopping. O cronograma inclui rodas de leitura, oficinas para o plantio de mudas de mangue e a confecção de biojoias, um processo de economia circular que transforma resíduos da pesca local (escamas de peixe) em artesanato sustentável.
A 37ª Refeno e a memória esportiva
Após a imersão na biologia marinha, o percurso guia o visitante ao universo esportivo, detalhando técnicas de leitura de ventos, navegação noturna e as memórias de atletas locais. O setor final é dedicado à Regata Internacional Recife–Fernando de Noronha (Refeno), que realiza sua 37ª edição no dia 19 de setembro e atrai competidores de diversas partes do mundo.
Para Paulo Perez, presidente do Instituto Cabanga, a exposição extrapola a vocação esportiva do clube. “É uma oportunidade de abrir as portas para toda a sociedade. Queremos evidenciar nossa contribuição para o esporte, cultura, sustentabilidade, educação e turismo. São iniciativas que fazem parte da história de Pernambuco e que ajudam a projetar o nosso estado para o Brasil”, destaca.

Serviço
Exposição “O Mar que nos Move – Do Mangue ao Oceano: Cultura, Memória e Preservação”
- Período: Até 20 de setembro de 2026.
- Local: Shopping RioMar Recife (Piso L1, ao lado da loja Palato).
- Endereço: Av. República do Líbano, 251, Pina – Recife/PE.
- Horários de visitação: Segunda a sábado, das 9h às 22h; Domingos, das 12h às 21h.
- Entrada: Gratuita.
- Informações: [@institutocabanga]
Oficinas do Centro Escola Mangue (Abertas ao público)
- Dias e horários: Terças e quartas-feiras, das 14h às 16h; Sábados, às 15h.
- Atividades oferecidas: Confecção de biojoias com escamas de peixe, produção de mudas de mangue e rodas de leitura sobre manguezais (sem necessidade de inscrição prévia).