A partir de 28 de agosto de 2026, mostra gratuita em São Paulo reúne cerca de 30 obras da artista norte-americana, revelando sua investigação pioneira sobre o fio como linguagem estrutural e arquitetônica na arte contemporânea.

A artista norte-americana Sheila Hicks, considerada uma das principais referências globais na expansão das práticas têxteis na arte contemporânea, é o foco da exposição “Sheila Hicks – O que que é isso?”, que ocupa o Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, de 28 de agosto a 25 de outubro de 2026. Com entrada gratuita, a mostra reúne aproximadamente 30 obras que cobrem mais de seis décadas de sua trajetória, culminando na apresentação de uma instalação de escala arquitetônica desenvolvida de forma inédita para o espaço.

Com curadoria conjunta de Ana Roman, Luis Pérez-Oramas e Paulo Miyada, a exposição estrutura-se a partir de um estreito diálogo com a artista. O conjunto selecionado transita pelas fronteiras entre escultura, pintura, design e artes têxteis, documentando uma investigação contínua sobre as capacidades morfológicas do fio — tratado não apenas como matéria, mas como estrutura e forma de pensamento.

A origem de “Was ist das, girl?”

O título da mostra resgata um episódio formativo da trajetória da artista. Durante seus anos de estudo na Yale University, nos Estados Unidos, Hicks foi questionada pelo renomado artista e professor Josef Albers, que a encontrou experimentando em um tear improvisado: Was ist das, girl? (“O que que é isso, garota?”). A indagação foi apropriada pela artista como um princípio norteador, sintetizando sua recusa em categorizar rigidamente sua produção e o seu compromisso com a curiosidade e a experimentação material.

A materialização desse processo pode ser observada na série Minimes, pequenas tecelagens produzidas desde o início de sua carreira em teares improvisados com chassis de pintura. É a partir desse laboratório de cores, texturas e densidades — influenciado por técnicas de tecelagem pré-incaicas — que Hicks desenvolveu os procedimentos para suas obras em escala monumental.

Monumentalidade, gravidade e a conexão andina

Ao lado das experimentações em pequeno formato, a mostra destaca obras de grandes proporções, como The Soft Side of my Nature e a instalação Aprentizaje de la Victoria. Nestas peças, a multiplicação de linhas individuais transforma-se em volumes espessos que interagem diretamente com a arquitetura e com o deslocamento do público. O mesmo ocorre na série Lianes, iniciada nos anos 1960, na qual longos cordões de fibras suspensas tensionam a relação do fio com a gravidade, libertando-o da trama tradicional.

A profunda conexão de Hicks com a América Latina é um dos pilares de sua formação estética e ganha espaço de destaque na mostra. No final da década de 1950, a artista percorreu diversos países sul-americanos, imergindo em sítios históricos e contextos onde as tradições da tecelagem permaneciam vivas.

Esse interesse é referenciado na exposição por meio de fotografias de viagem registradas por ela e pelo fotógrafo chileno Sergio Larrain, além de um núcleo de artefatos têxteis andinos cedidos pelo Comodato MASP Landmann (Museu de Arte de São Paulo). Essas peças históricas evidenciam a diversidade de materiais e funções que se tornaram a base da pesquisa da artista.

Circuito paulistano e projetos simultâneos

A presença de Sheila Hicks em São Paulo se desdobra em um circuito ampliado no fim de agosto. Simultaneamente à retrospectiva no Tomie Ohtake, a galeria Nara Roesler inaugura, no dia 29 de agosto, a mostra “Autobiografia de um fio”. A exposição paralela reúne mais de 20 trabalhos recentes e inéditos, produzidos desde 2017. A curadoria é de Luis Pérez-Oramas, responsável por introduzir o trabalho de Hicks ao público brasileiro em 2012, durante a 30ª Bienal de São Paulo.

O Instituto Tomie Ohtake também aproveita o período para exibir paralelamente “Contrarregra”, exposição dedicada à artista brasileira Tatiana Blass, que, partindo da pintura, investiga as relações entre matéria, espaço, luz e tempo.

A mostra “Sheila Hicks – O que que é isso?” é uma realização do Ministério da Cultura e do Instituto Tomie Ohtake, com apresentação do Bradesco e apoios da BMA Advogados e da Nara Roesler. O projeto prevê, ainda, o lançamento de uma publicação conjunta entre as instituições envolvidas.

Serviço

Exposição “Sheila Hicks – O que que é isso?”

  • Período: 28 de agosto a 25 de outubro de 2026.
  • Horário de funcionamento: Terça a domingo, das 11h às 19h (última entrada até as 18h).
  • Local: Instituto Tomie Ohtake.
  • Endereço: Av. Faria Lima, 201 (Entrada pela Rua Coropé, 88) – Pinheiros, São Paulo/SP. (Próximo à Estação Faria Lima – Linha 4/Amarela do Metrô).
  • Entrada: Gratuita.
  • Informações: (11) 2245-1900.