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Exposição “Nebulosa Gráfica” na UERJ mapeia o protagonismo feminino na gravura abstrata brasileira

Mostra inédita com entrada gratuita coloca em diálogo obras de 17 artistas, conectando pioneiras das décadas de 1950 e 1960 com a produção contemporânea no Rio de Janeiro.

A partir desta quinta-feira, 3 de setembro, a Galeria Candido Portinari, localizada na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), recebe a exposição “Nebulosa Gráfica: multiplicidades da gravura abstrata”. Com entrada gratuita, a mostra promove um encontro inédito na historiografia da arte nacional ao reunir obras de 17 artistas mulheres que exploram a abstração por meio da matriz gráfica. A seleção mapeia mais de seis décadas de produção, estabelecendo um diálogo direto entre os nomes fundadores das vanguardas de meados do século XX e as gravadoras contemporâneas.

Com curadoria de Ana Carla Soler e Fernanda Pequeno, a exposição resgata e exalta o papel central das mulheres no desenvolvimento da gravura abstrata no Brasil. O conjunto de obras, que fica em cartaz até 30 de outubro, é composto por acervos institucionais, coleções privadas e peças cedidas pelos próprios ateliês das artistas.

O marco do Ateliê Livre do MAM e a expansão territorial

O eixo histórico da mostra tem como ponto de partida o Ateliê Livre de Gravura do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ), coordenado pela artista Edith Behring a partir de 1959. O espaço funcionou como um celeiro criativo, por onde passaram nomes essenciais para a arte brasileira, como Anna Letycia e Anna Bella Geiger, formando o núcleo geracional que baseia a curadoria da exposição.

A artista Fayga Ostrower é apresentada nesse núcleo como a principal voz teórica de referência do período. A curadoria, no entanto, expande a cartografia da gravura abstrata para além do eixo fluminense, incorporando trabalhos de Renina Katz, Isabel Pons e Helena Lopes, evidenciando o alcance da linhagem abstrata gráfica também em São Paulo e Brasília.

Diálogo transgeracional e multiplicidade técnica

Para tensionar a linha do tempo, a exposição contrapõe as pioneiras com a produção de artistas que atuam no século XXI, como Eneida Sanches, Inês de Araújo, Siwaju Lima, Elaine Arruda, Ana Takenaka, Kika Levy, Aline Besouro, Renata Basile, Laila Terra, Elisa Arruda e Adriana Moreno.

As obras contemporâneas dão continuidade à experimentação com as formas e manchas, acessando as tradições abstratas por meio de diferentes soluções técnicas. O percurso expositivo abrange uma ampla variedade de métodos gráficos, incluindo xilogravura, litografia, gravura em metal, monotipia e serigrafia.

O conceito curatorial

O título “Nebulosa gráfica” apropria-se do vocabulário astronômico. Na astronomia, uma nebulosa de reflexão é formada por gás e poeira que se tornam visíveis apenas pelo reflexo de estrelas próximas. A curadoria adota essa metáfora para ilustrar o caráter relacional da exposição: a produção de cada artista ganha novas camadas de densidade visual e histórica ao ser observada em ressonância com as obras de outras gerações.

A mostra atual é o desdobramento natural de um projeto de pesquisa prolongado. O estudo inicial sobre Edith Behring e o ateliê do MAM/RJ já havia resultado nas exposições Gravadas no Corpo (2024) e Órbitas Abstratas (2025-2026), conduzidas por Ana Carla Soler e agora aprofundadas com a colaboração acadêmica de Fernanda Pequeno.

Serviço

Exposição “Nebulosa gráfica: multiplicidades da gravura abstrata”

  • Período: 3 de setembro a 30 de outubro de 2026.
  • Local: Galeria Candido Portinari (UERJ).
  • Endereço: Rua São Francisco Xavier, 524 – Maracanã, Rio de Janeiro – RJ.
  • Horário de visitação: De segunda a sexta-feira, das 9h às 19h.
  • Entrada: Gratuita.
  • Classificação etária: Livre.
  • Artistas participantes: Adriana Moreno, Aline Besouro, Ana Takenaka, Anna Bella Geiger, Anna Letycia, Edith Behring, Elaine Arruda, Elisa Arruda, Eneida Sanches, Fayga Ostrower, Helena Lopes, Inês de Araújo, Isabel Pons, Kika Levy, Laila Terra, Renata Basile, Renina Katz e Siwaju Lima.
  • Curadoria: Ana Carla Soler e Fernanda Pequeno.
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