Festival de Cinema Acessível Kids: projeto exibe filmes com acessibilidade em comunidade quilombola no Rio Grande do Sul
Nos dias 6 e 7 de agosto, o projeto de cinema voltado a crianças cegas ou com baixa visão, surdas ou com deficiência auditiva ou com deficiência intelectual ou cognitiva e população de baixa renda, visitará a área urbana e a comunidade quilombola dos Teixeiras, em Mostardas, no Rio Grande do Sul. Além da exibição do filme, acontece uma oficina para professores da rede municipal. Depois, segundo Sidnei Schames, idelizador do Festival de Cinema Acessível Kids – a serviço da inclusão educacional, o objetivo é fazer mais eventos no estado, para atender localidades e cidades impactadas recentemente pelas cheias.

O Festival de Cinema Acessível Kids – a serviço da inclusão educacional trabalha para adequar a programação deste ano para atender localidades e cidades impactadas pelas cheias no Rio Grande do Sul. O projeto de arte, educação e lazer, voltado para crianças cegas ou com baixa visão, surdas ou com deficiência auditiva ou com deficiência intelectual ou cognitiva e população de baixa renda, tem a chancela da Unesco e foi selecionado para a 38ª edição do “Criança Esperança”.
A próxima etapa do Festival nos dias 6 e 7 de agosto, em Mostardas (a 200 km de Porto Alegre), na área urbana e na comunidade quilombola dos Teixeiras. No dia 6, das 9h às 16h30, será realizada uma oficina para professores da rede municipal, no Auditório Municipal Mathias Azambuja Velho (rua Bento Gonçalves, 979).
Já no dia 7, será exibido o filme “Divertida Mente”, em dois horários. A primeira sessão acontece às 9h, também no Auditório Municipal de Mostardas, para 200 alunos de três insituições de ensino: Escola Municipal Fundamental Dinarte Silveira, Escola Municipal Fundamental Marcelo Gama e Escola Municipal Fundamental Ruy Miguel. Às 14h, a sessão de cinema será no Salão Paroquial da Comunidade Nossa Senhora do Rosário, na Associação Comunitária Quilombola dos Teixeiras, para cerca de 150 alunos da Escola Municipal Fundamental Marcílio Dias e da Escola Municipal Fundamental Emílio Ferreira de Lemos. A entrata para as sessões de cinema é franca.
O idealizador e diretor do Festival de Cinema Acessível Kids, Sidnei Schames, o “Sid”, conta que o evento atenderá as crianças que moram na zona urbana e também alunos de escolas rurais. “Para muitas dessas crianças da comunidade dos Teixeiras, que tem cerca de 90 famílias, será a primeira experiência com cinema”, afirma.
Exibição de filmes e oficinas para professores
Desde 2022, o Festival de Cinema Acessível Kids – a serviço da inclusão educacional passou a ser alicerçado em duas grandes ações: a capacitação de professores das escolas públicas em inclusão social, em oficinas de seis horas, para grupos de até 25 professores; e a exibição de filmes acessíveis com um debate após a sessão.
Isso porque no Criança Esperança o Festival de Cinema Acessível Kids integra, no âmbito educacional, a formação de educadores inclusivos. Tem como foco desencadear um processo de inclusão educacional e social das crianças, adolescentes e jovens com e sem deficiência; e outros grupos minorizados. Para valorizar a educação e lutar contra a evasão escolar, o projeto busca atuar de forma mobilizadora e fortalecer os vínculos de alunos e professores, através de atividades lúcidas que despertem o interessante de crianças e jovens no convívio entre os diferentes.
“O investimento na formação das crianças garante uma sociedade melhor no futuro. Ações como esta do Festival possibilitam que as crianças e jovens já cresçam em um contexto que acolhe e respeita as particularidades de cada indivíduo. Estar em um ambiente com pessoas com deficiência e pessoas sem deficiência, com todos assistindo a um filme de forma independente, provoca de maneira efetiva o pensar no que realmente podemos e sobre o que precisamos para exercer o nosso direito à cidadania. O acesso à cultura é fundamental. É notável a diferença na formação do adulto se já na infância houver a convivência e a troca entre crianças com e sem deficiência”, diz Sidnei Schames, acrescentando que o projeto buscará chegar cada vez não apenas aos espaços urbanos, mas às diversas comunidades, como indígenas e quilombolas.
Sobre o Festival de Cinema Acessível Kids
As obras do Festival contam com os recursos de audiodescrição, legendas descritivas e Língua Brasileira de Sinais. A audiodescrição permite ao público com deficiência visual (pessoas cegas ou com baixa visão) ter acesso aos filmes através da descrição dos elementos visuais da obra. Pesquisas demonstram que esse recurso beneficia, ainda, espectadores com autismo, Síndrome de Down, deficiência intelectual e déficit de atenção.
As legendas e a janela de Libras trazem acessibilidade ao público com deficiência auditiva. Além dos filmes acessíveis, o Festival promove uma recepção acolhedora do público, para que todos se sintam bem e possam aprender uns com os outros a partir das sessões de cinema. “Tivemos casos de pessoas que fizeram curso de Libras para poder se comunicar com pessoas surdas a partir da experiência que tiveram nas edições anteriores. O Festival Kids é muito mais do que a exibição de filmes acessíveis. Trata-se de uma oportunidade de troca e aprendizado”, afirma Schames.

Lei de Inclusão
Em dezembro de 2015, a Lei Brasileira da Inclusão surgiu para reforçar o direito das pessoas com deficiência quando, em seu primeiro artigo, diz que “é instituída a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência), destinada a assegurar e a promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoa com deficiência, visando a sua inclusão social e cidadania.”
A participação das pessoas com deficiência é um direito inquestionável, porém ainda não é concreto e pleno. “As leis existem, mas na prática não são cumpridas. Por isso entendemos que projetos como esse, que promovem a acessibilidade e inclusão de todos, ainda são fundamentais. O Festival de Cinema Acessível Kids – a serviço da inclusão educacional oferece conteúdo acessível de qualidade para uma parcela da população que é privada do direito de ter acesso à magia do cinema.
“As ações de inclusão cultural para o público das pessoas com deficiência são raras e, quando existem, invariavelmente assistencialistas”, diz Schames.