Com prazo até 10 de setembro, ciclo de formação online visa capacitar empreendedores negros e indígenas de todo o Brasil para transformar a criatividade cultural em negócios rentáveis e sustentáveis.
O Instituto Feira Preta recebe, até a próxima quinta-feira (10 de setembro), inscrições para um ciclo gratuito de masterclasses online voltado ao desenvolvimento do afroempreendedorismo. A jornada de formação ocorrerá entre os dias 14 e 17 de setembro e tem como objetivo principal fornecer ferramentas para que pessoas negras e indígenas consigam transformar sua produção criativa e cultural em poder econômico. O programa tem alcance nacional e é a porta de entrada para um ecossistema mais amplo de aceleração de negócios, que não exige a posse de um CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica) nesta etapa inicial.
A iniciativa parte da constatação econômica de que a criatividade negra é a base de grande parte das tendências de consumo no Brasil, abrangendo música, moda, design, gastronomia e audiovisual, mas que a população responsável por essa produção historicamente não captura os ganhos financeiros gerados por essa indústria.
A criatividade como ativo econômico
O objetivo estrutural das aulas é fornecer letramento sobre a “Economia Preta” e democratizar o acesso ao mercado. A proposta busca superar o descompasso entre a influência cultural e a geração de renda, construindo uma arquitetura de oportunidades que capacite os criadores a formatarem negócios sustentáveis.
Para Adriana Barbosa, diretora executiva do Instituto Feira Preta e uma das principais pesquisadoras do tema no país, o mercado precisa reconhecer os verdadeiros detentores desse capital cultural.
“Durante muito tempo o Brasil aprendeu a consumir a criatividade negra sem necessariamente reconhecer quem cria e quem captura o valor econômico dessa criação. Quando dizemos que criar é a nossa economia, estamos dizendo que a criatividade negra não está na periferia da economia brasileira. Ela ajuda a projetar o Brasil no hype internacional”, analisa.
Próximas etapas de fomento
Os concluintes do ciclo de masterclasses terão acesso prioritário aos detalhes sobre as próximas fases do sistema de fomento do Instituto Feira Preta para o segundo semestre. O roteiro inclui feiras de acesso a mercado, mentorias e a injeção de capital em negócios liderados pela população negra e indígena.
Entre as iniciativas já confirmadas estão o Prêmio Pretas Potências, voltado ao reconhecimento e financiamento de projetos de destaque, e um programa em parceria com o Assaí Atacadista, focado na seleção e investimento financeiro em empreendimentos gastronômicos baseados em escala e ancestralidade.
Programação das aulas
O ciclo de encontros online será dividido em quatro eixos temáticos, abordando desde o resgate histórico até a aplicação de inteligência artificial nas vendas:
- 14 de setembro (De onde viemos): A pesquisadora Dani Almeida aborda as “Raízes e tecnologias negras”, reconstruindo a formação do Brasil sob a ótica dos saberes africanos como estratégias de autonomia.
- 15 de setembro (O que estamos construindo): Com Adriana Barbosa e a empresária e influenciadora Ana Paula Xongani, o encontro “Afroempreendedorismo e Redes de Sustentação” foca em como superar as desigualdades de acesso a crédito.
- 16 de setembro (Para onde vamos): Focado em “Economia criativa, Novas Economias e Economia Preta”, o módulo contará com um convidado do cenário musical brasileiro para debater a produção e redistribuição de recursos.
- 17 de setembro (Como fazer circular): Em parceria com a Meta, a aula final ensinará a utilizar Inteligência Artificial no WhatsApp Business para otimizar a organização comercial.
Serviço
Masterclasses Economia Preta – Instituto Feira Preta
- Inscrições: Gratuitas, abertas até 10 de setembro de 2026.
- Onde se inscrever: Por meio do formulário oficial
- Datas das aulas: 14, 15, 16 e 17 de setembro de 2026.
- Horário: Das 18h30 às 21h30.
- Formato: Online (alcance nacional).
- Público-alvo: Pessoas negras e indígenas que atuam ou desejam atuar na economia criativa. A organização incentiva a participação de mulheres, juventudes e população LGBTQIAPN+.